segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Caatinga: muito mais que uma simples mata branca

Bem, sempre posto aqui no blog apenas textos de minha autoria, porém este que lhes trago hoje foi produzido por outros (como segue), tendo de minha autoria apenas as fotos. Este texto saiu no dia 05 de setembro de 2011 (hoje) na revista online Envolverde no link que segue: http://envolverde.com.br/ambiente/caatinga/caatinga-muito-mais-que-uma-simples-mata-branca/

por Lamartine Soares Bezerra de Oliveira, Mércia de Oliveira Cardoso e Cassio José Sousa Barbosa*




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Figura 1 - Flora da região de Caatinga. Foto: Cássio J.S. Barbosa 

Na maioria dos Estados da região Nordeste, ao se distanciar das áreas litorâneas em direção ao interior, podemos perceber uma grande mudança na paisagem, o que fica evidenciado ao se observar a vegetação, denominando o que consideramos o único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga.
Muitos estudiosos corroboram que a palavra Caatinga, de origem tupi, deriva das palavras caa (mata, vegetação) e tinga (branco, clara), ou seja, mata branca. Assim é chamada por causa da perda das folhas no período seco, expondo ainda mais a coloração acinzentada, quase branca, da casca da vegetação que predomina na região.
A área de domínio da Caatinga é de, aproximadamente, 734.478 km², ou seja, cerca de 10% do território nacional, localizando-se em quase todo território nordestino do Brasil e em parte do norte de Minas Gerais. Um bioma que já foi descrito na literatura como pobre, com pouquíssimas espécies e com grau de endemismo baixo. Entretanto, já se conhece pelo menos 932 espécies vegetais, sendo 318 endêmicas (Figura 1), 348 espécies de aves, das quais 15 espécies e 45 subespécies são endêmicas. Dentre os mamíferos, duas espécies foram descritas como endêmicas, e ainda estima-se que quase 40% dos lagartos e anfíbios sejam exclusivos desse bioma (Figura 2).

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Figura 2 - Fauna na região de Caatinga. Foto: Cássio J.S. Barbosa

Apesar das descrições já existentes, ainda temos muito a conhecer e admirar, pois esta região, além da rica biodiversidade, esconde uma beleza exuberante que tende a se mostrar no período chuvoso, com florações multicoloridas, cantos de pássaros dos mais belos, cachoeiras deslumbrantes, dentre outras belezas naturais (Figura 3).
Não obstante a importância e singularidades do bioma Caatinga, este é considerado, entre os biomas localizados na região neotropical, o mais ameaçado pela ação antrópica, sendo ainda a região brasileira com o maior número de áreas em processo de desertificação. Em 2002, os resultados do primeiro Seminário de Planejamento Ecorregional da Caatinga foram publicados no livro Ecorregiões, Proposta para o Bioma Caatinga, que relata, dentre outras coisas, a presença de, aproximadamente, 73 mil km² de áreas protegidas em unidades de conservação, ou seja, menos de 10% do bioma. E, em 2008, foi publicada pelo Miniatério do Meio Ambiente a 2º edição do livro Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição da Biodiversidade Brasileira, no qual é relatada a existência 72 áreas protegidas (12,58% de toda a área de domínio de Caatinga) e a necessidade de mais 220 áreas, para com isso garantir a proteção de 51% do bioma.

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Figura 3 - Paisagem geral do bioma Caatinga. Foto: Cássio J.S. Barbosa

Na prática, as ações de conservação são inexistentes ou raras. E o aumento das áreas protegidas é incipiente, quase que imperceptível diante da importância e da relevância da Caatinga, bem como, diante da contínua ação antrópica. Fato esse que ameaça a diversidade biológica de uma região tão bela, ainda desconhecida por muitas pessoas.

Bibliografia
BRANCO, S.M. Caatinga: a paisagem e o homem sertanejo. Editora Moderna: São Paulo, 55 p., 1998.

GIULIETTI,A.M.  Espécies  endêmicas  da  Caatinga.  In: SAMPAIO,  E.V.S.B.; GIULIETTI, A.M.; VIRGÍNIO, J. & GAMARRA-ROJAS, C.F.L. (Ed.). Vegetação & flora da caatinga. Recife: Associação de Plantas do Nordeste – APNE, p. 103-118, 2002.
 
LEAL, I.R., M.TABARELLI;  J.M.C.  SILVA.  Ecologia e conservação  da  Caatinga.  Editora Universitária, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil. 822 p., 2003.

 
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e repartição da biodiversidade brasileira: Atualização – Portaria MMA Nº 09, de 23 de janeiro de 2007. Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Biodiversidade e Florestas, Brasília: MMA, 328 p., 2007. (Série Biodiversidade, 31)

PENNINGTON, R.T.; LEWIS, G.P.; RATTER, J.A. (eds.) Neotropical savannas and seasonally dry forests: plant diversity, biogeography and conservation. Edinburg: CRS Press, 504 p., 2006.

VELLOSO, A.L.; EVERARDO, V.S.B.; SAMPAIO, E.V.S.B.; PAREYN, F.G. Ecorregiões: Propostas para o Bioma Caatinga. Associação Plantas do Nordeste e Instituto de Conservação Ambiental The Nature Conservancy do Brasil. 2002, 76 p.

* Lamartine Soares Bezerra de Oliveira é agrônomo, doutorando em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (soareslt@hotmail.com). Mércia de Oliveira Cardoso é agrônoma, doutoranda em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal Rural do Pernambuco (mercia.cardoso@yahoo.com.br). Cassio José Sousa Barbosa é biólogo e fotógrafo especializado em natureza (cassiojsb@yahoo.com.br).

segunda-feira, 7 de março de 2011

A mãe-da-lua ou urutau

Esta ave traz consigo uma aura de mitos e lendas traçados a noites enluaradas no nosso sertão, acreditem meus amigos que muitos pais nos remotos lugarejos do sertão contam a seus filhos que: “a mãe-da-lua vem pegar as crianças que saem durante a noite” esta é uma entre tantas lendas que cercam esta ave magnífica.

Lendas a parte na verdade a mãe-da-lua ou urutau como é conhecido em muitos lugares tem nome científico Nyctibius griséus e é uma ave total mente pacífica “as vezes até demais” que possui uma enorme capacidade de camuflagem, está entre os animais ameaçados de extinção talvez por confiar demais nesta capacidade de camuflagem.

Nesta ocasião pude fotografar uma fêmea e seu pequeno filhote, estes animais põem seus ovos em cavidades naturais na extremidade de troncos onde seu corpo parece uma extensão do tronco tornando-se praticamente invisíveis a olhos desavisados. (No caso deste ninho, por exemplo, só foi encontrado pelo dono da propriedade após tocar o tronco e ver a ave voar)

Ai estão alguns dos registros: (veja como ela se alinha de forma simétrica ao tronco)


Esta ave é noturna e normalmente só vai sair deste tronco durante a noite, sendo que muitas vezes nem o faz alimentando-se no próprio tronco de insetos que o rodeia.

  • Na foto seguinte temos o detalhe do olho desta ave, percebam que mesmo de olhos fechados ela possui pequenas frestas por onde pode enxergar, pois se precisasse “abrir os olhos” para tal fim perderiam alguns pontos em camuflagem, sendo assim, mesmo de "olhos fechados" podem ver um predador que venha a se aproximar demais e voar.

O pequeno filhote com a plumagem inicial a qual será mudada ao longo do tempo. Ele já esta aprendendo os "macetes" da camuflagem!

OBS: Nesta mesma data tive muitos outros registros interresantes de animais e vegetais, que irei postando ao longo dos dias!

Muito obrigado pelas visitas e comentários meus "povos" e minhas "povas" ABRAÇO!